domingo, 20 de março de 2011

UM PEQUENO POEMA

COLETIVOS

As palavras são meu mundo
O caos e o cosmos
Do meu eu mais profundo

As ilhas são constelações marinhas
As estrelas, arquipélagos de luz
As borboletas são asas
de seda pura – panos
Panapaná de cores sobre os oceanos...



MENINA DOS OLHOS... NA UNESP

Muitos de meus amigos sabem que uma de minhas atividades profissionais é ser Orientadora de Disciplina/Tutora do Curso de Pedagogia (Semi-presencial) da UNESP/UNIVESP. Não irei, neste momento, falar dos amigos que fiz na sala de aula, dos quase cinquenta professores com quem compartilho um agradável e rico ambiente de aprendizagem. Deixarei este comentário para outra ocasião. Hoje quero falar sobre a Profa. Dra. Maévi, do Polo de São José do Rio Preto. É ela a autora que organiza as atuais disciplinas que estudamos, sobre Educação Infantil. Encontramo-nos na capacitação em São Paulo e ofereci a ela um exemplar de "Menina dos Olhos". Colei abaixo o comentário que me enviou, para compartilhar com vocês a alegria de que meu pequeno livro suscite tão boas emoções.

"Olá, Eliana! Seu livro é realmente muito bonito! Me emocionei a cada história contada por você. Me identifiquei com muitos momentos ali retratados. Uma leitura que farei ainda outras vezes, pois o seu livro me fez sentir muito bem... Me fez reviver sensações da infância, momento que gosto muito de me recordar.
Irei sim acrescentar o seu livro na bibliografia das disciplinas Casos de ensino na Educação Infantil e Teoria e prática da Educação Infantil que ministro aqui na UNESP/Rio Preto. Com isso, certamente a UNESP irá adquiri-lo para nossa biblioteca. O que será um ganho imenso para todos os nossos alunos! Farei esse acréscimo a partir do próximo semestre. Quando trabalhar com os textos - ainda irei selecioná-los - te escrevo contando as reações dos alunos. Se você me permitir, eu poderia inclusive pedir a eles que escrevessem comentários para você, que eu te enviaria por e-mail. Pode ser?
Grande abraço e muito obrigada por me presentear com um livro tão lindo... Maévi "

ESTOU LENDO...

Livros escritos por mulheres... sobre mulheres... para que mulheres leiam... são  livros assim que geralmente me aparecem. Agora, estou lendo "Nas tuas mãos", da jornalista portuguesa Inês Pedrosa. A mesma história contada por três mulheres: Jenny, Camila e Natália. Avó, mãe e filha. Recordações emocionais cercadas por acontecimentos políticos. Uma narrativa forte e afiada expondo uma surpreendente história familiar. Jenny não é a verdadeira mãe de Camila, mas a cria como se fosse... cuida dela em nome de um amor solitário e platônico... Histórias de doação extrema, como somente as mulheres sabem fazer...

Seguem alguns trechos:

"Mas a minha independente Natália, nascida para libertar as mulheres como eu do terrível jugo masculino, só descansará em paz quando alcançar a magreza de ossos das adolescentes olheirentas que agora fazem as vezes das estrelas de cinema nas revistas. Entristece-me vê-la perder a beleza sem dar por ela, marchando inconscientemente nas fileiras da indústria de morte que domina o mundo. Já não se fazem Marilyns Monroes a partir de Normas Jeans com ancas, barriga e seios. E não sei se será sensato pôr as culpas todas nos homens, querida Natália, porque talvez faça falta à libertação total de que vocês andam a tratar essa capacidade de amar a celulite, as lágrimas, as rugas e as ancas largas de uma mulher que só os homens parecem, apesar das campanhas contrárias, teimosamente manter."

“Dizem que o amor se faz de uma comunidade de interesses subterrâneos, restos de vozes, hábitos que nos ficam da infância como uma melodia sem letra, paixões pisadas na massa funda do tempo, mas nesses anos entre guerras os sentimentos explicados não interessavam a ninguém. O amor era então uma criação fulminante do tédio e da inocência, feito do carnal recorte da beleza, magnífico de crueldade.”

“A vida é uma infindável colecção de testemunhas: precisamos que nos observem, na vitória como no fracasso, precisamos que nos prestem atenção.”
E você? O que está lendo?

ESTOU LENDO...

Livros escritos por mulheres... sobre mulheres... para que mulheres leiam... são  livros assim que geralmente me aparecem. Agora, estou lendo "Nas tuas mãos", da jornalista portuguesa Inês Pedrosa. A mesma história contada por três mulheres: Jenny, Camila e Natália. Avó, mãe e filha. Recordações emocionais cercadas por acontecimentos políticos. Uma narrativa forte e afiada expondo uma surpreendente história familiar. Jenny não é a verdadeira mãe de Camila, mas a cria como se fosse... cuida dela em nome de um amor solitário e platônico... Histórias de doação extrema, como somente as mulheres sabem fazer...

Seguem alguns trechos:

"Mas a minha independente Natália, nascida para libertar as mulheres como eu do terrível jugo masculino, só descansará em paz quando alcançar a magreza de ossos das adolescentes olheirentas que agora fazem as vezes das estrelas de cinema nas revistas. Entristece-me vê-la perder a beleza sem dar por ela, marchando inconscientemente nas fileiras da indústria de morte que domina o mundo. Já não se fazem Marilyns Monroes a partir de Normas Jeans com ancas, barriga e seios. E não sei se será sensato pôr as culpas todas nos homens, querida Natália, porque talvez faça falta à libertação total de que vocês andam a tratar essa capacidade de amar a celulite, as lágrimas, as rugas e as ancas largas de uma mulher que só os homens parecem, apesar das campanhas contrárias, teimosamente manter."

“Dizem que o amor se faz de uma comunidade de interesses subterrâneos, restos de vozes, hábitos que nos ficam da infância como uma melodia sem letra, paixões pisadas na massa funda do tempo, mas nesses anos entre guerras os sentimentos explicados não interessavam a ninguém. O amor era então uma criação fulminante do tédio e da inocência, feito do carnal recorte da beleza, magnífico de crueldade.”“A vida é uma infindável colecção de testemunhas: precisamos que nos observem, na vitória como no fracasso, precisamos que nos prestem atenção.”
E você? O que está lendo?





terça-feira, 8 de março de 2011

A MULHER SELVAGEM

Oito de março. Dia da Mulher. Ofereço às mulheres que estão ligadas a este blog minha melhor leitura: o livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Sei o quanto é difícil elegermos um livro como o melhor que lemos. Cada livro é uma experiência única e definitiva. Mas, há algum tempo, tenho dito que este livro é o melhor dos que já li. Sinto como se tivesse um encontro marcado com ele, durante toda a vida. E que, finalmente, li o que vivia, sentia, sofria, buscava...
A autora, analista junguiana e escritora norte-americana, é descendente de mexicanos e revela em sua escrita fortes traços da cultura ameríndia, principalmente no que se refere aos mitos, aos arquétipos e suas interpretações. Neste livro, seu primeiro, Clarissa nos brinda com uma bela teoria, a da Mulher Selvagem.
Assim ela começa:
“A fauna silvestre e a Mulher Selvagem são espécies em risco de extinção.
Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução do espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos, ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milênios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.”
Clarissa afirma que as mulheres possuem uma natureza instintiva forte e perfeita, que elas abandonam em troca de (falsa) segurança e (pseudo) amor. Quando estamos em sintonia com esta nossa natureza, sabemos o que é bom para nós, cuidamos de nosso corpo, de nossa vida, de nossas crias, com energia e acerto, como fazem os lobos.
Assim:
“Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem.”
Em seiscentas e quatorze páginas, Clarissa conta histórias e nos convida ao  encontro com a Mulher Selvagem, a segurar suas mãos, a confiar e ter orgulho de suas decisões em nossa vida.
“E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quando do oculto – ela é a base. (...)
Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal. Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngües: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas. Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.
Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, “Por aqui, por aqui.”
Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela é a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. (...) Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus pensamentos.
(...) Onde se pode encontrá-la? Ela caminha pelos desertos, bosques, oceanos, cidades, nos subúrbios e nos castelos. Ela vive entre rainhas, entre camponesas, na sala de reuniões, na fábrica, no presídio, na montanha da solidão. Ela vive no gueto, na universidade e nas ruas. Ela deixa pegadas para que possamos medir nosso tamanho. Ela deixa pegadas onde quer que haja uma única mulher que seja solo fértil.”
Que nós mulheres sejamos, hoje e em todos os dias, solo fértil para o encontro com a Mulher Selvagem.
Com carinho.
Eliana Maciel